Perimenopausa, menopausa, climatério. Você já deve ter visto esses termos sendo usados como se fossem a mesma coisa. E não são. Toda semana aparece alguém contando que "está na menopausa" porque a menstruação atrasou, o sono sumiu e ela jura que enlouqueceu um pouco. Na maioria das vezes, não está. Está na perimenopausa. E essa diferença não é só no nome.
Este texto não substitui orientação médica. Ele resume publicações científicas e institucionais, com cada fonte citada individualmente.
Tratar tudo como "menopausa" apaga anos de sintomas que têm explicação e manejo. Saber em que fase você está muda a conversa com quem te acompanha na saúde: os sintomas fazem sentido, têm nome, têm o que fazer a respeito. Vamos organizar essa bagunça de termos, porque ela tem ordem e tem por que existir.
A perimenopausa começa muito antes do que a maioria imagina, em média a partir dos 40 anos. É quando os hormônios começam a oscilar, não a cair de vez. Pense menos em "queda" e mais em "montanha-russa": o estrogênio sobe e desce de forma imprevisível, e é exatamente essa instabilidade, não a ausência do hormônio, que explica boa parte do caos — calorão do nada, humor instável, sono ruim, ciclo que já não é mais aquele relógio confiável.
Os primeiros sinais podem aparecer antes mesmo do ciclo mudar de forma óbvia. Dentro da perimenopausa já estabelecida, existe uma divisão que quase ninguém conhece, definida pelo sistema STRAW+10 (padrão internacional de estadiamento reprodutivo)[2]: na perimenopausa inicial, a menstruação começa a variar de forma persistente — um atraso (ou adiantamento) de 7 dias ou mais em relação ao seu padrão de ciclo, de um jeito que se repete. Na perimenopausa tardia, os ciclos ficam ainda mais espaçados, com atrasos de 60 dias ou mais — meses sem menstruar, depois ela volta, depois some de novo.
Menopausa, tecnicamente, não é uma fase, é um dia. É o marco dos 12 meses seguidos sem menstruar, resultado da perda da atividade folicular do ovário.[1] E aqui vem o detalhe que confunde todo mundo: só se sabe que alguém "está na menopausa" depois desse ano completo ter passado. A idade em que isso costuma acontecer varia, mas fica em torno dos 49-51 anos no Brasil.
Pós-menopausa é tudo que vem depois da menopausa. É a fase mais longa da vida reprodutiva-e-pós-reprodutiva de uma mulher, considerando a expectativa de vida atual, e é quando questões de saúde óssea e cardiovascular de longo prazo passam a merecer atenção redobrada.
E o climatério? Esse é o termo que engloba tudo. É a fase inteira de transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, e cobre um período antes e depois da perimenopausa. Pense nele como o nome do processo todo; perimenopausa, menopausa e pós-menopausa são as etapas dentro dele.
A oscilação e depois a queda do estrogênio afetam múltiplos sistemas do corpo ao mesmo tempo, o que explica por que os sintomas parecem tão variados. Os calorões e suores noturnos são os sintomas vasomotores mais característicos da transição, ligados diretamente à instabilidade hormonal. Alterações do sono podem acontecer de forma independente ou associada aos calorões noturnos. Mudanças de humor trazem maior vulnerabilidade a irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos durante a transição. As alterações do ciclo menstrual, já descritas acima, são o próprio critério clínico usado para identificar a fase. E secura vaginal e mudanças urinárias fazem parte do que hoje é chamado de síndrome geniturinária da menopausa, ligada à queda de estrogênio nos tecidos.[1]
Nem toda mulher sente todos esses sintomas, e a intensidade varia muito de pessoa para pessoa. Isso também é normal.
Qualquer mudança que atrapalhe sua qualidade de vida já é motivo suficiente para buscar avaliação, mesmo sem esperar “piorar mais”. Também vale procurar avaliação se: os sintomas começarem antes dos 40 anos (o que pode indicar menopausa precoce), se houver sangramento fora do padrão de irregularidade esperado na perimenopausa, ou se você tiver dúvida sobre se o que sente é mesmo relacionado a essa transição.
Se seu corpo estiver mudando de fase, agora você já sabe o nome de cada uma delas.
[1] European Menopause and Andropause Society (EMAS). Position statement sobre nomenclatura e definições da transição menopausal. Maturitas, 2022. Disponível em: maturitas.org/article/S0378-5122(21)00344-3/fulltext
[2] Harlow, S. D. et al. (2012). Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10): addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22344196
Você se reconheceu em alguns desses sinais?
Isso não confirma que você esteja na perimenopausa, mas é um bom motivo para observar o conjunto das mudanças e conversar com um profissional. Você não precisa chegar à consulta tentando lembrar tudo de cabeça.
Pesquisa em andamento
Estamos conversando com mulheres de 40 a 55 anos para entender suas experiências com perimenopausa e menopausa. A conversa é confidencial, dura cerca de 25 minutos e não envolve venda.
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