Você ainda menstrua normalmente, mas alguma coisa parece diferente: um TPM mais intenso, uma noite de sono ruim do nada, uma irritabilidade que não bate com o que está acontecendo. É possível que seja perimenopausa começando, mesmo com o ciclo ainda regular.
Este texto não substitui orientação médica. Ele resume publicações científicas e institucionais, com cada fonte citada individualmente.
Vale um esclarecimento primeiro, porque essa confusão de nomes é uma das maiores fontes de dúvida sobre o tema. No Brasil, "climatério" é o termo guarda-chuva que engloba toda a transição hormonal, da pré-menopausa até a pós-menopausa.[1] Já "perimenopausa" é o termo técnico mais preciso para o período específico que este texto cobre: os primeiros sinais da transição, ainda com ciclo regular ou quase regular, geralmente o momento de maior confusão ("será que já é isso?"). No uso popular brasileiro, "pré-menopausa" costuma ser usado como sinônimo de perimenopausa, o que este texto também adota para facilitar a busca, mas tecnicamente perimenopausa é o termo mais correto.[2]
Para o quadro completo das fases (perimenopausa, menopausa, pós-menopausa e climatério), veja nosso artigo principal sobre sintomas e fases da menopausa.
Cada sinal abaixo tem consenso entre pelo menos três fontes médicas independentes. Nem toda mulher sente todos eles, e a intensidade varia muito de pessoa para pessoa, isso também é normal.
Segundo o sistema STRAW+10 (padrão internacional de estadiamento reprodutivo), o primeiro sinal objetivo da perimenopausa é uma mudança persistente no ciclo menstrual: variação de 7 dias ou mais na duração do ciclo, de forma recorrente.[3] É o sinal mais "objetivo" da lista, porque pode ser observado e contado, diferente de sintomas mais subjetivos como humor ou sono.
Também chamados de sintomas vasomotores, são os sinais mais reconhecíveis da transição. Segundo a The Menopause Society, cerca de 75% das mulheres relatam ondas de calor durante a perimenopausa, com início em média 2 anos antes da última menstruação; para a maioria, os episódios continuam por mais de um ano, e entre 25% e 50% das mulheres seguem sentindo por até 5 anos.[4] Os suores noturnos são o mesmo fenômeno acontecendo durante o sono, às vezes seguidos de calafrios.
Sono mais leve, dificuldade para pegar no sono ou despertares no meio da noite, mesmo sem um calor noturno evidente. A The Menopause Society lista distúrbios do sono entre os sintomas mais comuns da transição.[4]
Irritabilidade maior que o habitual, ansiedade, oscilação emocional ou tristeza sem uma causa externa clara. As mudanças de humor na perimenopausa estão ligadas à oscilação do estrogênio, não a uma queda linear, e a The Menopause Society aponta que mulheres nessa fase ficam particularmente vulneráveis a esse tipo de sintoma.[5]
Dificuldade de concentração, lapsos de memória para palavras, nomes ou compromissos, sensação de raciocínio mais lento. A The Menopause Society descreve isso como sintomas cognitivos que incluem esquecimento e dificuldade de lembrar palavras, nomes, histórias e números, reportados por 40% a 60% das mulheres de meia-idade durante a transição.[5]
A queda de estrogênio deixa o tecido vaginal mais fino e menos lubrificado, o que pode causar ressecamento, ardência ou dor durante a relação sexual. Isso costuma aparecer mais tarde na transição do que os sinais anteriores, mas já pode começar ainda na perimenopausa inicial.[4]
Maior urgência ou frequência para urinar, às vezes acompanhada de ardência. A The Menopause Society lista isso entre os sintomas genitourinários da transição, junto com um risco maior de infecção urinária.[4]
Dores leves em articulações e músculos, sem uma lesão ou esforço que as explique. A The Menopause Society menciona esse sintoma entre os relatados na transição, ligado à queda de estrogênio.[4] É um sinal menos falado que os anteriores, mas real.
Cansaço que não melhora com uma noite de sono aparentemente normal. Pode estar ligado aos próprios distúrbios de sono da lista acima, ou aparecer de forma independente.
Este é o sinal com consenso mais fraco entre as fontes consultadas: aparece mencionado pela The Menopause Society,[4] mas com menos precisão e menos unanimidade que os itens anteriores, e outros fatores (idade, estilo de vida, metabolismo) também influenciam o peso nessa fase da vida. Vale observar, mas sem tratar como sinal isolado e definitivo.
A instabilidade hormonal característica dessa fase, o estrogênio oscilando, não caindo de forma linear, é justamente o que torna os sintomas tão inconsistentes de mês para mês. Em um mês você sente muito, no seguinte quase nada. Isso não significa que os sintomas anteriores foram "imaginação", é parte do próprio padrão irregular da transição.
A perimenopausa começa, em média, 8 a 10 anos antes da menopausa, tipicamente em meados dos 40 anos, segundo a Cleveland Clinic.[6] Os primeiros sinais mais sutis, como os listados acima, podem aparecer antes mesmo da mudança de ciclo ficar evidente. Se os sintomas começarem antes dos 40 anos de forma mais intensa, vale investigar a possibilidade de menopausa precoce, que tem critério diagnóstico próprio.
Perceber que você pode estar no início dessa transição não muda o tratamento por si só, mas muda a conversa: em vez de investigar cada sintoma isoladamente, o sono ruim por um lado, o humor por outro, é possível apresentar o quadro completo para quem te acompanha na saúde, o que costuma facilitar a investigação e o manejo.
[1] Ministério da Saúde (BVS-MS). Menopausa e climatério. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/menopausa-e-climaterio
[2] European Menopause and Andropause Society (EMAS). Position statement sobre nomenclatura e definições da transição menopausal. Maturitas, 2022. Disponível em: maturitas.org/article/S0378-5122(21)00344-3/fulltext
[3] Harlow, S. D. et al. (2012). Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10): addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22344196
[4] The Menopause Society. Symptoms. Disponível em: menopause.org/patient-education/menopause-topics/symptoms
[5] The Menopause Society. Perimenopause. Disponível em: menopause.org/patient-education/menopause-topics/perimenopause
[6] Cleveland Clinic. Perimenopause: Age, Stages, Signs, Symptoms & Treatment. Disponível em: my.clevelandclinic.org/health/diseases/21608-perimenopause
Você se reconheceu em alguns desses sinais?
Isso não confirma que você esteja na perimenopausa, mas é um bom motivo para observar o conjunto das mudanças e conversar com um profissional. Você não precisa chegar à consulta tentando lembrar tudo de cabeça.
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Estamos conversando com mulheres de 40 a 55 anos para entender suas experiências com perimenopausa e menopausa. A conversa é confidencial, dura cerca de 25 minutos e não envolve venda.
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