Climatério é uma dessas palavras que todo mundo já ouviu, poucas pessoas sabem explicar, e muita gente usa como sinônimo de menopausa sem ser exatamente isso. Se você chegou aqui procurando entender o que é, com quantos anos começa e o que esperar do próprio corpo nessa fase, é isso que este texto responde direto.
Este texto não substitui orientação médica. Ele resume publicações científicas e institucionais, com cada fonte citada individualmente.
Climatério é o nome da transição inteira da vida reprodutiva para a não reprodutiva — o guarda-chuva que cobre um período antes e depois da menopausa propriamente dita. Não é uma doença, nem um evento único: é um processo biológico, decorrente da queda progressiva da função ovariana, que se estende por anos.
A diferença entre climatério, menopausa e perimenopausa costuma confundir porque as pessoas usam os termos como sinônimos no dia a dia. Não são: a menopausa é um marco dentro do climatério, não o climatério inteiro. Detalhamos essa diferença com mais profundidade no nosso artigo principal sobre sintomas e fases da menopausa.
Não existe um dia marcado no calendário para "entrar no climatério" — ele começa de forma gradual, geralmente a partir dos 40 anos, quando os ovários começam a reduzir sua atividade e os hormônios passam a oscilar de forma mais perceptível. Para a maioria das mulheres brasileiras, o marco central dessa transição, a menopausa, acontece em torno dos 49 anos, segundo a coorte ELSA-Brasil[3], mas a variação individual é ampla. Detalhamos os fatores que antecipam ou atrasam essa idade no artigo com quantos anos a menopausa realmente acontece.
A oscilação e, depois, a queda sustentada de estrogênio afetam vários sistemas do corpo ao mesmo tempo — por isso os sintomas do climatério parecem tão variados de pessoa para pessoa. O ciclo menstrual passa a variar em duração antes de cessar completamente, sendo, tecnicamente, o primeiro critério clínico usado para identificar o início da transição. Na termorregulação, os calorões e suores noturnos surgem da instabilidade hormonal e podem persistir, em mediana, por mais de sete anos. No sono e humor, há maior vulnerabilidade a insônia, irritabilidade e sintomas ansiosos ou depressivos, que pode se manifestar em diferentes momentos da transição. Nos tecidos geniturinários, ocorrem secura vaginal e mudanças urinárias, ligadas à queda de estrogênio local. E nos ossos e sistema cardiovascular, as mudanças se tornam mais relevantes já na fase pós-menopausa, exigindo atenção redobrada a partir daí.[1]
Nem toda mulher sente todos esses sintomas, nem com a mesma intensidade — a variação individual é a regra, não a exceção.
O climatério se organiza em três fases sucessivas.[1][2] A perimenopausa é a fase de transição em si, quando o ciclo menstrual começa a variar e os sintomas mais característicos (calorões, alterações de humor, sono ruim) costumam aparecer pela primeira vez — existe até uma subdivisão técnica dela, perimenopausa inicial e tardia, que explicamos em detalhe no artigo principal. A menopausa não é uma fase, é uma data: o marco dos 12 meses seguidos sem menstruar, que só se confirma retrospectivamente, depois que esse ano completo já passou. E a pós-menopausa é tudo o que vem depois desse marco, pelo resto da vida — é quando a atenção à saúde óssea e cardiovascular ganha peso maior nas recomendações médicas.
Reconhecer se você está no climatério, e em qual das três fases especificamente, pode mudar a conversa com quem te acompanha na saúde: os sintomas passam a ter nome, contexto e manejo, em vez de serem investigados um a um sem essa visão de conjunto.
[1] European Menopause and Andropause Society (EMAS). Position statement sobre nomenclatura e definições da transição menopausal. Maturitas, 2022. Disponível em: maturitas.org/article/S0378-5122(21)00344-3/fulltext
[2] Harlow, S. D. et al. (2012). Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10): addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22344196
[3] Fatores associados à idade da menopausa natural na coorte ELSA-Brasil. Repositório UFMG. Disponível em: repositorio.ufmg.br/handle/1843/57681
Você se reconheceu em alguns desses sinais?
Isso não confirma que você esteja na perimenopausa, mas é um bom motivo para observar o conjunto das mudanças e conversar com um profissional. Você não precisa chegar à consulta tentando lembrar tudo de cabeça.
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Estamos conversando com mulheres de 40 a 55 anos para entender suas experiências com perimenopausa e menopausa. A conversa é confidencial, dura cerca de 25 minutos e não envolve venda.
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