Procurar "ginecologista especialista em menopausa" no Google costuma trazer uma lista longa, e quase nenhuma pista de como diferenciar quem realmente tem foco no climatério de quem só atende o tema ocasionalmente, dentro de uma prática geral de ginecologia. Este texto explica o que verificar antes de marcar consulta, e onde encontrar profissionais já pesquisados em algumas cidades brasileiras.
Este texto não substitui indicação médica. Ele explica critérios públicos de qualificação profissional, com fonte institucional citada.
Toda médica ou médico formado em Ginecologia e Obstetrícia pode, tecnicamente, atender uma paciente no climatério. Isso não significa que a pessoa tenha formação adicional, prática concentrada ou atualização constante especificamente em menopausa, terapia hormonal e as particularidades dessa fase. A diferença importa porque o manejo do climatério envolve decisões que mudam com frequência conforme novas diretrizes são publicadas, como os critérios de risco-benefício da terapia hormonal.[1]
Dois termos aparecem com frequência em currículos médicos, e vale entender a diferença.
O TEGO (Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia) é um exame organizado pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), com o título concedido pela AMB (Associação Médica Brasileira) e reconhecido pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). Aprovação no TEGO permite ao médico registrar o RQE.[2]
O RQE (Registro de Qualificação de Especialista) é o documento emitido pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) do estado onde o médico atua, formalizando perante o conselho que aquela pessoa tem qualificação reconhecida na especialidade. Sem o RQE, um médico não pode se apresentar publicamente como especialista.[2]
Nenhum dos dois, porém, é específico de menopausa. Eles comprovam formação em Ginecologia e Obstetrícia de forma geral, não um foco comprovado em climatério. Por isso, ver "CRM" e "RQE" no perfil de uma médica confirma que ela é uma ginecologista habilitada, mas não confirma, sozinho, que menopausa é uma área de concentração dela.
Como não existe, no Brasil, um título de especialista exclusivo para climatério e menopausa reconhecido da mesma forma que o TEGO, o foco real costuma aparecer em outros sinais, que podem ser verificados nas fontes públicas do próprio profissional:
Participação ativa na Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC) ou na Comissão Nacional Especializada em Climatério da FEBRASGO costuma indicar dedicação contínua ao tema, diferente de uma simples filiação declarada sem atividade visível. Pós-graduação, residência complementar ou certificação específica em climatério/menopausa (nacional ou internacional) é um sinal mais forte do que a menção genérica a "atendimento em menopausa" na descrição de um consultório. Participação em eventos científicos da área, como o Congresso Brasileiro de Climatério e Menopausa, também é um indicador consistente, embora, isoladamente, não substitua uma credencial formal.
Vale notar que mera filiação a uma sociedade médica (constar como "membro") é uma condição diferente de certificação obtida por exame ou título formal. É uma distinção que vale a pena verificar diretamente, não presumir a partir do nome da sociedade.[3]
A FEBRASGO e a SOBRAC publicam, em parceria, consensos e diretrizes que orientam o tratamento do climatério no Brasil, incluindo o manejo da terapia hormonal. A revisão mais recente desse tipo de consenso reforça critérios de segurança e indicação que mudam a avaliação de risco-benefício conforme idade e tempo desde a última menstruação.[1] Profissionais atualizados com essas diretrizes tendem a aplicar o mesmo critério da "janela de oportunidade" já descrito no nosso artigo sobre terapia de reposição hormonal.
Antes de marcar uma consulta, vale olhar o site ou perfil profissional da médica ou médico em busca de: RQE em Ginecologia e Obstetrícia (qualificação básica confirmada), menção específica e verificável a climatério ou menopausa como área de atuação, e, quando existir, participação ativa em sociedades ou pós-graduação dedicada ao tema. Nenhum desses itens, isoladamente, garante que a consulta será boa, mas juntos ajudam a diferenciar quem tem prática concentrada no climatério de quem atende o tema apenas eventualmente.
O MenoAtlas organiza, por cidade, profissionais que atendem climatério e menopausa, incluindo ginecologistas, endocrinologistas, fisioterapia pélvica, psicologia, nutrição e outras áreas relacionadas. Cada perfil recebe um selo que indica o nível de comprovação encontrado nas fontes públicas consultadas, explicado em detalhe na nossa página de metodologia. Hoje, o diretório cobre São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia, com novas cidades sendo adicionadas aos poucos.
[1] Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024. FEBRASGO, SOBRAC, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedad Interamericana de Cardiología. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Disponível em: ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC11341215
[2] Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselhos Regionais de Medicina (CRM). Registro de Qualificação de Especialista (RQE) e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), concedido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
[3] Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Comissão Nacional Especializada em Climatério. Disponível em: febrasgo.org.br
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